Sobre prostituição: dados para uma visão crítica não moralista

Pretendo apresentar aqui um outro lado da prostituição que a noção tão festejada de “liberdade sexual” insiste em esconder. Quero destacar que parte desses dados vieram de organizações que envolvem ex-prostitutas e que ouviram muitas prostitutas, para além dos casos de exceção tão comuns em relatos favoráveis. Em primeiro lugar, está mais do que na hora de problematizar esses discursos que ligam todas as críticas à prostituição com moralismo ou ignorância. O que vejo, como feminista, é bem o contrário. Eu, assim como a maioria das meninas de esquerda que se aproximam do feminismo, cheguei com o discurso de “temos de garantir os direitos das(os) trabalhadoras(es) do sexo”, “é um trabalho digno como qualquer outro”. Mas isso, justamente, até começar a de fato me aprofundar no assunto, ler quem realmente estudou a questão e ouvir as prostitutas (e não apenas aquela ex-colega de classe média alta, que não precisa disso para sobreviver, se prostitui em ambiente seguro e é a exceção da exceção). Algumas informações às quais chegamos: a situação real e concreta das pessoas que se prostituem mostra um quadro de violência sistemática e alto risco, o perfil e a história de vida dessas pessoas (na grande maioria meninas e mulheres), demonstra que não faz sentido algum falar em “liberdade de escolha”, a prostituição de adultas e adultos está intimamente relacionada com histórico de violência sexual e com prostituição infantil. Além disso, na perspectiva feminista, é preciso questionar, sobretudo levando em consideração a situação concreta em que ocorre a prostituição, se ela é resultado de liberdade ou é mais um reflexo da estrutura patriarcal de exploração e objetificação do corpo das mulheres. Deixando claro que ser contra a prostituição de modo algum é ser contra as pessoas que se prostituem, aliás, bem ao contrário disso. 

Algumas fontes: 

1) sobre o perfil de meninas e mulheres exploradas sexualmente no brasil: a maioria é negra, pobre, tem baixa escolaridade, mora em espaços urbanos periféricos, tem histórico de ser vítima de violência, contrai doenças sexualmente transmissíveis, é agredida psicológica e fisicamente devido ao seu “trabalho” (http://zip.net/brnSHK) (http://zip.net/bjnSdy) (http://zip.net/bbnSrw) ;

2) a situação de fragilidade e exclusão social também aparece no caso de outros países, onde a maioria das pessoas em situação de prostituição são meninas e mulheres imigrantes, muitas vítimas de tráfico de pessoas, a grande maioria com esse mesmo perfil de fragilidade socioeconômica (http://zip.net/bjnSdD) (http://zip.net/bgnSp8) (http://zip.net/bbnSrC);

3) sobre a relação direta entre turismo sexual e a exploração sexual infantil (http://zip.net/bvnSGK) (http://zip.net/bcnR9z) (http://zip.net/bknSrl)

4) nesses documentários, são entrevistadas mulheres em situação de prostituição e ex prostitutas que relatam o que os estudos e estatísticas já mostraram tantas vezes: praticamente todas sofrem violência física e sexual ao longo de sua “vida profissional”, muitas fazem uso de drogas e sofrem de depressão (http://zip.net/bqnS2S) (http://zip.net/bknSrr). Inclusive, faço questão de colocar aqui esse último documentário, “Praça da Luz”, que não pretende ser desfavorável à prostituição (diria que até o contrário disso), mas que, na prática, acaba por mostrar a realidade de violência dessas mulheres, pois é inevitável que isso apareça nos relatos delas, mesmo quando a intenção não é a denúncia. Também um filme, baseado em fatos reais, que mostra a realidade de exploração sexual inerente ao mercado da prostituição: http://zip.net/bxnTgj Alguns textos de ex prostitutas e entrevistas com mulheres que foram prostitutas: http://zip.net/bsnSHr http://zip.net/blnRH9 http://zip.net/bsnSHs

5) sobre o projeto de Jean Wyllys: “Textualmente, o PL deixa claro o que deve passar a ser entendido por exploração sexual: “1) apropriação total ou maior que 50% do rendimento de prestação de serviço sexual por terceiro; 2) o não pagamento pelo serviço sexual contratado; 3) forçar alguém a praticar prostituição mediante grave ameaça ou violência”. De acordo com o projeto, uma terceira pessoa poderia se apropriar de até 50% do valor do “serviço””. Isso mesmo: 50% (http://zip.net/bmnSjD) Acrescentando que, conforme relatam muitas prostitutas, inclusive nos documentários que indiquei, é prática comum elas terem que pagar ainda aos cafetões pelo local utilizado e por alimentos, bebidas e o que mais venham a consumir durante o programa (muitas também usam drogas fornecidas pelos próprios cafetões), o que reduz ainda mais seu ganho financeiro. (http://zip.net/bvnSGT) (http://zip.net/bnnSsq) http://www.sof.org.br/noticias/a-quem-serve-a-regulamentação-da-prostituição http://zip.net/blnRJh

6) sobre a experiência de legalização em outros países e suas consequências, assim como outras alternativas buscadas: http://zip.net/btnSDL  http://zip.net/bcnR9P http://zip.net/bcnR9Q

7) outros sites e textos com diversas fontes que problematizam a questão da prostituição a partir de uma perspectiva feminista e não moralista: http://materialabolicionista.wordpress.com/ http://zip.net/brnSH9 http://zip.net/bgnSqD http://zip.net/bnnSsv http://zip.net/bsnSHw Traduzo e destaco aqui: “Conheces alguma outra profissão na qual as pessoas que a exercem enfrentam uma taxa de mortalidade entre 10 a 40 vezes superior a média? Ou na qual entre 60 e 80% dos “trabalhadores” sejam submetidos regularmente a violência física e sexual? Se trata-se de um trabalho como outro qualquer, por que são muito poucas as mulheres da Europa ocidental que a exercem? Por que razão a imensa maioria das pessoas prostituídas são mulheres imigrantes? (…) Vários sindicatos na Europa não consideram a prostituição como uma profissão, já que entendem que esta é incompatível com os critérios associados a qualquer trabalho, como a segurança e a dignidade (…)”

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2 respostas em “Sobre prostituição: dados para uma visão crítica não moralista

  1. Eu só tenho umas perguntas ,que acho que deverias ser feitas para todos aqueles que defendem prostituição: o homem sempre teve toda a liberdade sexual do mundo,por que ele nunca defendeu o direito de ser prostituto? cade a “liberdade de escolha” do homem? Se desse tanto poder assim,não teria tanto homem querendo ser prostituto?

    Não consigo enchergar essa “polêmica” toda ao redor da prostituição,a coisa é tão descarada.

    E vale lembrar que esses “pobres homens” que nãoq uerem ser odiados por nós se acham com todo o dierito de violenatr mulheres e meninas em puteiros.Outro assunto que deve ser escanacarado.Exigem nosso amor,mas não fazem por onde.me dá nojo essa de “homem não pode ser odiado”.

  2. obs: as perguntas não foram feitas para a autora,mas para deixar registrada como argumentos contra liberais que defendem tal barbárie,caso tenham po desprazer de “baterem boca” com alguns…

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