Sobre Disparidade Salarial – Não é mero acaso.

Você já reparou que antes da inserção das mulheres no mercado de trabalho, homens pobres (nossos avós) conseguiam manter uma família de 8, 10, 12 filhos? E não era incomum os homens se darem ao luxo de manter duas famílias (sem que uma soubesse da outra, claro). Quando a mulher vai finalmente para o mercado de trabalho, para as universidades, se gradua e etc, os salários caem, mantendo, claro, os maiores salários e melhores cargos para os homens.
Nada disso é um mero acaso do capitalismo, mas mais uma forma ardilosa de manter as mulheres dependentes dos homens. Se a mulher tem poder aquisitivo, conforme a constituição prevê, para ter moradia, alimentação, saúde e lazer asseguradas, ela dificilmente vai buscar os homens, e consequentemente não vai se prender a crianças. Esta tática de disparidade salarial e inflação é chave para fazer as mulheres buscarem desesperadamente casamentos, o que as colocam em relacionamentos abusivos de forma cega. Claro que não é apenas isso, mas estes fatores políticos garantem que toda a cultura da profissão-esposa funcione.
Nada disso é mero acaso, mas há um agravante: nossa classe, com essa tática (disparidade salarial e inflação), acaba não sendo remunerada de nenhuma forma. Entenda que o trabalho doméstico é um trabalho chave para a economia. Ele sempre existiu e sempre foi importante como base da economia. A mulher continua sendo explorada em casa, trabalhando sozinha pelo homem e pelos filhos. E não é remunerada por isso. É um trabalho sem folga, sem férias. Até após a aposentadoria ele permanece e ela é uma eterna mucama da sociedade, criando inclusive os netos abandonados pelos seus genros. Sendo assim, a inserção do mercado de trabalho, uma importante luta feminista de empoderamento da mulher visando sua autonomia, foi usada a favor dos homens para alavancar a economia dos países sem que a mulher receba remuneração integral pela jornada dupla ou tripla.
Ela continua dependente de um amparo econômico para sair da casa de seus pais e continua precisando de uma vida a dois para sobreviver. Ela continua sendo explorada e sendo a base da economia. Ela continua sendo vista e responsabilizada pela sociedade, pela mídia (propagandas de limpeza são voltadas para mulheres) e pelo Estado pelo trabalho doméstico e cuidados com as crianças.
Nada disso é por acaso e tudo isso te mantém cativa, desesperada e sujeita a abusos e desprezo dos homens. 

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