Carta aberta a Mayra

Mayra,

fiquei de te enviar uma lista de atitudes misóginas de transativistas. Mas, primeiro, em virtude desta ser uma carta aberta e de vivermos numa sociedade patriarcal onde o senso comum de que a mulher é o ser humano feminino, inerentemente feminino, preciso fazer, pela milésima vez,  algumas considerações teóricas do feminismo. E aqui, nesta carta, feminismo é a vertente que chamam de radical e faço isso porque eu julgo fundamental, inexorável, que feminismo seja uma luta exclusiva de mulheres por mulheres. Algumas pessoas entendem isso, mas a maioria não. E não as julgo já que também um dia já fui assim. E parecer arrogante é inevitável já que o cenário atual é de preconceito com as radfems, e preconceito é algo que as pessoas precisam mudar a partir delas. Se romper com o preconceito fosse tão fácil assim por parte de quem sofre, bastando se explicar, o mundo seria melhor. Mas a realidade é que as pessoas tapam os ouvidos e olhos quando querem manter seus preconceitos.

E claro que o que eu disse acima será transferido para mim como se eu fosse preconceituosa com defensores da teoria queer. Eu sou tão preconceituosa quanto sou com os cristãos, pois já fui cristã, já amei demais o deus cristão, defendi a ideologia cristã e já li a bíblia 1,5 vezes. Não é sempre que faço isso, mas critico o que conheço e entendo quando critico ambas ideologias, religiosas e trans/queer.

Eu, particularmente, divido o ser humano em duas características, a materialidade biológica e a materialidade cultural. E, sendo mais pragmática, corpo e mente. Ambos são mutáveis? Sim, claro. E até um influencia o outro, de certa forma. Uma pessoa que perdeu uma perna acaba mudando seu modo de pensar a partir dessa vivência. Uma mulher feminista acaba mudando coisas no seu corpo também, desfazendo construções culturais. Até o jeito de andar dela pode mudar porque sua mente mudou. Para o feminismo, no que concerne às questões entre os dois sexos, macho e fêmea, ambos são da mesma espécie, e ambos têm idêntica capacidade intelectual, e as diferenças corpóreas (que são distintas, óbvio, mas nem sempre isso é lembrado) não mudam tão significativamente a forma de pensar de ambos os sexos. E todas essas explicações midiáticas sobre os estereótipos de gêneros apenas reforçam o status quo machista para manter as mulheres conformadas com a sua construção social, que é uma construção de subordinação. E aqui começo a falar de gênero. Mas parece que até aqui você não é muito obtuso.

O conceito de gênero para o feminismo é análogo ao conceito das castas indianas. Ambos são um sistema de divisão de classes em função de características biológicas. Ambos os sistemas são impositivos e constroem o indivíduo para que desempenhem papéis de dominação e subordinação com base em ideologias de ódio e discriminação. No sistema de gênero, a mulher é reformada para se enquadrar no conceito patriarcal de mulher. E vou usar aqui a mesma palavra tanto para a mulher adulterada (a mulher do patriarcado) quanto para a mulher não adulterada (que raramente existe por causa da socialização já desde o nascimento). E não vejo nada de errado nisso ou confuso já que eu também poderia falar de mãe e da mãe do patriarcado, o que é ser mãe para a sociedade e etc.

O sexo biológico é imutável. Não dá para mudar de sexo, assim como não se muda de etnia. Por isso, transsexualidade não é possível. Silicone não são seios biológicos. Qualquer cavidade acima do períneo não é necessariamente uma vagina. E por aí vai. E não estou certa se já ficou claro que não existe mente de homem e mente de mulher. Tampouco alma de mulher e alma de homem. E sob essa perspectiva que o feminismo há décadas vem trabalhado. Porém, sofremos vários backlashes (ataques antifeministas) e reformulações da nossa teoria para não desagradar a classe dominante e que o feminismo denuncia como favorecido desse sistema de gênero, os homens. As teorias subversivas do feminismo foram reformadas, adulteradas e modificadas para se adaptar justamente às teorias machistas. E as teóricas que tanto estudaram com afinco as relações entre os sexos foram silenciadas, demonizadas como sapatões, feias, gordas e tudo que uma mulher não deve ser, além de esquecidas. Para mim, nada mais feminista que me apoiar em trabalhos de mulheres, principalmente no que concerne as questões feministas, claro. Mas por ser bem oposto ao que o patriarcado diz e sobre o que é ser mulher que essas feministas foram e são consideradas radicais (leia-se desnecessárias). Bem, eu não sou uma mulher branca da classe média, a qual eu considero a mais limitada sobre a condição da classe mulher. Não tenho síndrome de condomínio do patriarcado pois nasci e cresci numa favela e sou negra. Esse sistema me afetou muito e me prejudicou demais. E a única teoria que me contemplava enquanto negra periférica foi a chamada de radical (leia-se exagerada). A minha vivência estava ali descrita, e as soluções também. Não adianta reformar o patriarcado e se isolar numa bolha de alterações na própria mente fazendo meditação para acreditar que o machismo não te afeta. Não adianta tentar fazer mudanças individuais no estilo de vida até acreditar que o machismo da sociedade diminuiu pois você se isolou e não viu. Ou porque parou de se incomodar com as piadinhas sobre seu sexo. Não adianta passar a ver cantadas como elogio ou violência doméstica como ato passional, ápice da expressão de amor do macho sobre a mulher. Essas propostas liberais não mudam o sistema, e vai tudo a favor do que eu sempre fui contra, a postura da classe média sobre os problemas sociais.

Quanto aos transativistas… 

A história é longa, mas já há livros sobre um leque de atitudes de vocês como o Unpacking the queer politics da Sheila Jeffreys que deixo no meu drive e Gender Hurts da mesma. Mas eu ainda não cheguei a ler esses livros na íntegra. Eu nem precisei, eu vivenciei isso no feminismo.

Alguns poucos casos individuais:

  1. Samie vive falando que ser mãe é um privilégio e isso é demasiadamente ultrajante. Samie nunca pariu e nem vai parir, e Samie não faz nada diferente do que o sistema patriarcal, que é todo pautado em misoginia faz, dizer à mulher que encubar seres humanos, amamentá-los, se prender a eles por anos, interrompendo várias atividades centradas apenas em si mesma, é um privilégio. E as dores, cansaços e insatisfações devem ser silenciadas pois se você sente e admite que sente você não é uma mãe decente, assim como a mulher não adulterada não é uma mulher decente. Samie também disse, numa falsa simetria vergonhosa, que se os homens são considerados estupradores em potencial, as mulheres são infanticidas em potencial. Nada iuomizista para quem se considera mulher.
  2. Juno é de etnia nipônica, caucasiana, e se diz mulher trans (como se homens e mulheres fossem diferentes no pensar tal como o patriarcado sempre tentou reforçar), mas Juno não se satisfaz, Juno se diz mulher trans negra.
  3. Sofia, que tem uma página se autointitulando reflexiva, disse que queria rasgar o cu de uma menina de 13 anos já sabendo que ela era dessa idade. A mesma também expos uma mãe citando seu filho e pedindo o endereço da mesma em sua página com mais de 65 mil pessoas. Nesse mesmo post abriu-se portas para se incitar feminicídio à mesma por meio de atropelamento. Apenas brincadeira sobre violência contra a mulher? É o que o patriarcado diz.
  4. Jessica Sparks disse que acharia bom que radfems fossem estupradas. Que era contra o estupro de qualquer mulher, “até mesmo as cis”, mas radfems são uma classe de mulheres que merecem ser estupradas. Nunca vi radfem desejando estupro para mulheres trans. Mas, estupro é uma violência que os machos costumam banalizar. Nada novo.
  5. Beatriz Calore (risos)… É covardia eu citá-lo.
  6. Dorothy Lavigne (não tem graça a violência que esse macho já pratica há anos fora da internet)… É covardia eu citá-lo. A própria Daniela Andrade já disse que nem dá pra defender esse ser. Mas tanto o Calore quanto o Lavigne estão printados na Era de Xysperar.
  7. Hailey Kaiss, que reblogou um post cujo conteúdo discursivo (textual) tinha cunho pedófilo e em vez de assumir e se desculpar, nega o que fez e acusa quem pede explicações de transfóbica. Quando uma pessoa apoia pedofilia, ainda que tenha sido “sem querer querendo”, todas as vítimas de pedofilia perdem.
    Não contente, Hailey pisa nos sentimentos de vítimas de pedofilia. Ao ler uma mulher falando sobre sua vivência, disse “tadinha dessa transfóbica”. Que fique claro que não o estamos acusando de pedofilia, estamos apontando fatos. Seria leviano acusarmos quem quer que seja de pedofilia sem provas, afinal com acusações não se brinca. O que queremos? Apenas nos debruçar sobre fatos e problematizá-los sem esse gaslighting que faz de nós as verdadeiras bruxas que merecem a fogueira pública.
  8. Você achou bem diferente trocar a palavra esfaquear por matar. Nossa, Mayra, obrigada por não querer esfaquear uma mulher mas apenas matá-la por um elogio que não te agrada. Curioso que nunca quis matar uma mulher branca que tenha me feito um elogio racista. E aquela sua dica de como atrair as mulheres virando travesti me diz sobre você o que a teoria radical já prediz. Só que eu mal te conheço, imagine conhecendo.

Outros gerais:

  1. Não lembro o nome de todos, mas no grupo Siri Rycas, um grupo onde trans (que nasceram com penis, óbvio, por que citaríamos as que nasceram com vagina?) se socializam com as mulheres eu tive as experiências mais libertadoras da minha vida no feminismo. Não se podia falar em menstruação de forma confortável tal como nós mulheres já somos orientadas a não fazer perto de qualquer macho. Nada novo. E nem de gravidez, amamentação, etc. Útero também não é uma palavra boa em ser dita, mas somos todas mulheres, claro. Já piroca… Nossa, eu nunca entrei em grupos onde pirocas ficavam expostas por motivos de eu não ter interesse. Mas no Siris a pirocada rolava solta. E não importa se as lésbicas não gostam e até detestam. Nem se há mulheres ali que foram vítimas de estupro e aquilo seja gatilho para elas. E o mais interessante de tudo é que alguns nem lido como travestis ou mulheres trans eram. Eram lidos como homens héteros na boa. Mas se alguém contesta isso, transfobia. E claro que as mulheres e meninas ali, doutrinadas pela teoria queer que diz que se um homem se diz mulher só a palavra dele já basta, você deve vê-lo como mulher, colocavam as suas fotos de nudes. E claro que nada disso era porta para machos entrarem nos nossos espaços e terem acesso à nudez dessas mulheres. Lá também li dicas de como namorar meninas de 16 anos. Pouco diferente do que já vemos em ambientes com machos.
  2. Dizer que mulheres deveriam ser estupradas por não usarem o pronome exigido é comum no transativismo. Criar listas de mulheres a serem bloqueadas ou atacadas é comum no transativismo. Ter um front de mulheres atacando outras quando se dizem feministas é comum no transativismo. E claro que vão dizer que eu faço o mesmo com a mulheres trans. Mas eu não sou hipócrita, eu não considero mulher trans mulheres, mas homens. Estou sendo coerente com a minha luta. Se eu atacasse as mulheres pró-vida, ou antifeministas, já que considero elas mulheres, aí sim eu seria hipócrita e incoerente. Mas esse backlash dentro do feminismo tem origem do lado que concede espaço para o transativismo. E o transativismo é um movimento antifeminista, totalmente incompatível com o feminismo, diz o oposto do que o feminismo diz. E curiosamente é o único movimento no mundo onde o lado dito mulher não é silenciado pelo lado dito homem. Nem entre feministas e feministos isso acontece assim tão naturalmente. E nem pensem em citar o feminismo radical como silenciador de machos pois macho aqui não entra. E somos odiadas por isso. Por lutarmos por um espaço onde a filosofia da mulher, adulterada ou não, seja feita sem a intervenção dos machos.
  3. O termo cis é antifeminista pois parte da perspectiva de que a mulher escolheu o seu gênero, ou está conformada com o seu gênero, ou que tem o seu gênero inerente à sua natureza biológica, e não uma construção social como já foi exaustivamente explicado aqui. É um termo contramão do feminismo e que veio da teoria queer. O feminismo, novamente, defende que gênero é uma construção social com metas definidas de opressão via papéis sociais e dominação da mulher. Quando se diz que uma mulher é cis, se diz que ela é do jeito que é porque estava biologicamente destinada a ser, e isso é o oposto do que eu defendo.
  4. Eu, particularmente, tenho a infelicidade de ser hétero e estar presa numa síndrome de Estocolmo no que concerne à minha sexualidade. E sempre fui franca sobre minha atração sexual com os transgêneros. Não tem nada a ver com a aparência de vocês, mas com os órgãos sexuais e a sexualidade. Orientação sexual é pautada nisso, sempre foi, desde os tempos em que andávamos nus e homem e mulher eram bem parecidos nos rostos e feições. Nunca deixei de me interessar por um macho apenas porque ele está de vestido, ou batom ou escova progressiva. Me desinteressava caso soubesse que era gay pois gays não gostam de mulheres. O fato de um homem colocar silicones e ter a aparência da mulherdo patriarcado nunca foi empecilho para vedar minha atração sexual. E seu fosse apenas questão de aparência e se a genitália fosse coisa secundária nessa atração, eu me casaria com as minha melhores amigas pois sou apaixonada por elas há anos. Eu me relacionaria com lésbicas butchers. Bem, isso é considerado transfobia, ter aversão sexual por vagina quando se é mulher hétero e por pênis quando se é mulher lésbica. E, dentro do feminismo, quem mais tem sido acusada de transfobia por não querer se relacionar com mulheres trans ou homens que se dizem lésbicos são as lésbicas. E coerção para lésbicas chuparem piroca, terem contato com piroca ou serem penetradas por pirocas existe e a acusação é de transfobia quando elas se recusam. Isso é um tipo de estupro pois coage a pessoa a fazer determinada prática sexual que ela não deseja por culpabilização, chantagem emocional, dentre outros.
  5. A hipótese da pluralidade de gêneros (como se gênero fosse algo inato ao indivíduo) abre portas para que o opressor da mulher se esconda sob a autoidentificação de non-binárie ou mulher trans. Enquanto feminista, eu sei exatamente quem é beneficiado pelo patriarcado desde seu nascimento. E sei quem é considerado intelectualmente superior e quem tem o privilégio de silenciar quem em todos os espaços da sociedade (exceto dentro do feminismo chamado radical). Não importa para mim a autoidentificação do macho, se ele se acha não-opressor, a socialização dele conta e é uma vantagem perto da minha. A minha socialização é a minha opressão e ela não é reversível. Ela já me minou de várias formas e todos os espaços da sociedades estão socializados para me tratar como o segundo sexo. Não adianta eu me achar humana, achar que tenho uma relação horizontal com os machos, quando eu não tenho. Isso é ilusão, alienação da materialidade.
  6.   Por fim, entenda que discutimos aqui apenas uma arma do patriarcado, o sistema de gênero, este sistema de subordinação da fêmea humana. Enquanto o transativismo reforma o sistema aumentando o número de gênero, ignorando que este é um sistema de opressão, e fazendo com que mulheres deixem de se identificar como mulher acreditando que o feminismo nem é mais para ela ou que já não deve ser mais protagonistas, nós queremos abolição do gênero. Só há um gênero humano e enquanto a misoginia, o pavor da fêmea humana sendo ela mesma, existir, principalmente por parte do macho, mulheres continuarão sendo o segundo sexo. O sexo a ser prostituído, aliás. E sendo a construção social da mulher, a transformação dela em um produto frágil, dominável e facilmente estuprável, nada disso é garantia de fazer o patriarcado falir pois isto é apenas uma ferramente de um sistema anteriormente já existente. Eu inclusive acredito num tempo em que não havia diferença estética entre homens e mulheres, e a identificação dos sexos se dava instantaneamente pela nudez. E mesmo assim acredito que sofríamos tentativa de dominação de nossos corpos, dominação sexual. Então, é assim que eu já desisti dos machos, e isso inclui você, Mayra. Minha misandria se baseia em não confiar em vocês, não abrir porta para vocês e não fazer aliança com vocês. E a minha misandria nunca matou, agrediu ou estuprou nenhum macho, diferente da misoginia dos machos. E são os machos que violentam vocês, mas são mulheres que vocês estão demonizando na rede. Eu quero apenas manter espaços exclusivos dentro de um mundo dominado por machos, um mundo falocêntrico, onde a filosofia mais transgressora humana possa ser feita e evoluir, sem a insistência irritante de machos entrarem nela nem que seja colocando uma etiqueta contendo o nome dele como se ele fosse o foco (Male Exclusionary Radical Feminist, pleonasmo idiota mas bem sintomático). Não excluímos trans em nosso movimento, pois FtM têm voz e entrada nele. O feminismo radical naturalmente nos reforma e o amor entre as mulheres e por nós mesmas é um dessas consequências. Por isso o grupo mais odiado dentro do movimento mais odiado.
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29 respostas em “Carta aberta a Mayra

  1. Transativismo entenda : Nossas pautas são diferentes .Nós precisamos falar de útero ,violencia obstétrica , maternidade , vagina , sem ter q usar TW só pq falar sobre isso possa ser ofensivo a vcs . O Feminismo é pra empoderar mulheres e não dá pra admitir que nós, sejamos silenciadas num movimento, q a priori ,foi feito para mulheres . Não negamos seus sofrimentos mas não acreditamos que sejam mais importantes q os nossos, como vcs sempre querem enfatizar, menospreando nossas dores e opressão e por isso estamos cansadas de ser caladas , Parem de querer adentrar o feminismo a força , de maneira violenta e agressiva e se preocupem mais em dar força a um movimento que represente vcs de uma maneira melhor . Feminismo não pode abraçar todas as causas pq senão ele termina enfraquecendo ,infelizmente é o que vem acontecendo . Não podemos exigir que o movimento Gay lute pelo feminismo, assim como o contrário também não cabe pois são pautas diferentes . Podemos nos apoiar mas cada um na sua luta pra não se perder a essencia, o foco .Vcs não enxergam q a atitude colonizadora no feminismo está trazendo muitos problemas , desavenças , brigas , ao inves de soluções ? Nem vcs avançam e nem nós podemos avançar deste jeito .

  2. Ah, Keli, eu juro que esperava mais cordialidade de uma pessoa que soa tão racional em todos os outros momentos. Mas a partir do segundo que você chama as MtF todas no masculino sabendo que isso as ofende, da mesma forma que um homem te canta na rua sabendo que isso te oprime e te assusta, eu não posso fazer nada senão compará-la ao patriarcado em posição de inimizade a certas mulheres.

    Você crucificar Samie, por exemplo, por ela falar que maternidade é privilégio, sem sacanagem, é muito ódio no coração. Você não sente a vontade visceral de gerar um filho, então obviamente ninguém sente, isso é ilusão e a tristeza de não poder fazê-lo também é falsa porque você queria não poder fazê-lo? Isso é como a surda dizer que som não existe porque ele não consegue ouvir. É deprimente isso. Eu conheço mulheres que foram estupradas e engravidaram do estupro, abortaram, e até hoje não querer retirar o útero nem dar nó em trompa nem porra nenhuma porque ainda desejam com toda sua alma gerar um filho pela penetração e pari-lo pela vagina. Eu vou ser a primeira pessoa a te dizer “não entendo essa porra nunca”, mas eu nunca vou desmerecer esse desejo nas mulheres dizendo que isso é “coisa do patriarcado, você não deve querer fazer isso”. Aí ok, eu substituo a lavagem cerebral do homem pela minha sobre aquela mulher. Sensacional.

    Aí você chega lá embaixo e defende com unhas e dentes que gênero é opressão e que gênero não se muda. Só tem um problema. Quando a gente muda a nossa aparência, a gente muda as opressões que sente. Um transhomem desfruta de todos os privilégios masculinos enquanto aqueles ao seu redor não souberem de seu sexo biológico. Assim como a transmulheres sofre a maioria das opressões femininas sob as mesmas condições. Isso tudo, junto com o fato de que essa situação era diferente antes da transição, leva à que conclusão, Keli?

    Chega na parte de atração sexual e fala que ela é por genitálias. E todas as esposas de mulheres trans que as deixam depois da transição, mesmo o pau ainda estando ali, por não terem mais desejo por suas parceiras? E a minha namorada de 7 anos que foi embora por esse exato motivo? VOCÊ sente atração por homens cis e mulheres trans? Yey, ótimo! Mas, assim… você não é o mundo. Você sabe disso, né? Isso não universaliza o desejo mútuo às duas coisas.

    Enfim, cara… tá tudo errado. Mas não tá tudo errado pra mim ou pra ti ou praquela outra. Tá tudo errado pro feminismo. Porque se o homem tem uma série de pré-requisitos para considerar uma mulher “para casar”, com quem você acha que está concordando quando pensa em expulsar uma mulher do banheiro feminino por não atender um desses pré-requisitos, o da vagina, da geração de filhos? Aí aproveita e reforça um pouco de homofobia também, já que homem não pode ficar com alguém que tem pau e você tá ó… exatamente ali, confirmando aquilo.

    O patriarcado agradece.

    • Eu vou ser a primeira a te dizer que chamar de transfobia a não atração pelo genital da pessoa trans é babaquice, que o que fizeram no Syris Rycas de reclamar do papo de útero e menstruação é palhaçada e que a Sophia errou feio errou escroto ao estimular o estupro contra uma menina de 13 anos em reação à transfobia dela.. A primeira. Mas isso aqui tá igualmente tudo errado.

  3. Meu comentário não tem só relação com esse post, é uma coisinha besta direcionada ao site e o conteúdo que eu acabei tropeçando na interwebs. Eu tenho “problema na cabeça” como as pessoas dizem, eu sou muito contraditório com as personas dentro de mim e boa parte do tempo penso que tudo que eu falo não faz sentido (assim como as outras pessoas). Então se você tem algum problema com gente doida, ou tem algum problema em lidar com a opinião dos outros eu recomendo que você não me leia. Existe um certo tipo de indiferença muito grande dentro de mim para com os humanos, eu não sei expressar muito bem minhas opiniões e se soubesse bem ainda não sei se conseguiria. Aparentemente minha visão é muito mais que idiossincrática. Eu não vejo problema nisso mas aparentemente isso dificulta minha convivência no mundo (não ter e/ou guardar opiniões, ou simplesmente me abster de qualquer conflito). Eu aprendi que sou “homem” e aceitei essa nomenclatura quando existe a necessidade do conhecimento do meu sexo (questões de saúde por exemplo). Na minha cabeça somos todos iguais, humanos apesar de tudo. Eu não acredito que por ter sido nomeado como homem ou mulher eu tenha obrigação de algo ou algum empecilho simplesmente por ser homem ou mulher, na minha cabeça simplesmente não faz sentido isso (a menos que seja algo biológico). Eu não vejo penis nem vaginas, não acredito que essas duas coisas insignificantes definam algo tambem. E o que importa é o que eu penso e o que está na minha cabeça. Na verdade, eu acredito que ninguem deve nada a ninguem e nós temos escolhas. Eu não sou obrigado a ser gentil com você, eu guardo a gentileza pra mim mesmo e não tem nada de errado nisso. Escolhas. Eu li alguns posts do site e a unica coisa que eu senti foi curiosidade. Eu vou tentar ao máximo não generalizar as coisas (generalizar, gêneros, oh boy). O acaso de eu ter simplesmente nascido e ter sido atribuído como homem me faz parecer ser culpado por um crime que eu não cometi (ainda). O acaso de você ter sido atribuída como mulher me faz parecer que você é vítima de um crime que não aconteceu (ainda). Eu não to negando que não existe o mal causado pelo homem para com a mulher e vice-versa, mas lendo os textos parece que simplesmente não existe e nunca existirá o ideal que procuram. Porque nós não podemos nos dar bem? Essa pergunta simples fica na minha cabeça, e eu não to falando só em igualdade de gênero, racial, social ou qualquer coisa mongoloide. Será que quanto mais a nossa auto-consciência se eleva mais dificil fica lidar com ela? Um amigo de loucura dizia: “O bom a gente aprende, o mal nasce e cresce dentro da gente”. Nem sempre eu fui tão indiferente as pessoas, eu sentia uma atração estranha por mulheres quando mais jovem, cheguei até a me relacionar com uma! Foram varios anos mas eu não me sentia confortavel, eu via o relacionamento como uma obrigação e parecia que eu tinha metas a cumprir pra ficar com ela. Eu gostava muito da companhia dela mas ja odiava compromissos. Eu não devo nada a ninguem e ninguem deve nada a mim oras, são escolhas. Porque nós nao podemos simplesmente aproveitar a companhia um do outro? Eu escolhi que não queria mais. Acabou. E eu não consegui ter um relacionamento íntimo com mais ninguem. Na questão sexual eu prefiro me masturbar pra nao ter que lidar com as pessoas. Não sei, talvez seja minha condição mental mesmo. Meu amigo de loucura falava que eu sentia atração por conta do meu DNA, que eu era doido por conta do meu DNA e a resposta estava toda no DNA. É algo meio vago, mas eu comecei a pensar nos animais e na nossa evolução. Como eles aprendem a se reproduzir? Como os insetos aprendem a voar? Porque quando eu era adolescente eu sentia aquela atração pela minha namorada aparte do sentimento bom que eu tinha em relação da companhia dela? E porque agora eu nego essa intimidade sexual? Talvez meu amigo estivesse certo, o mal ja estava em mim (e isso iria de encontro com o que eu falei acima sobre a visão do que eu li: eu ja sou condenado pelo crime que nao cometi e talvez nunca vou cometer, mas ainda assim condenado. Veja bem, eu não estou criando uma desculpa pra violencia “Ah é o instinto animal na gente presente no DNA antes mesmo da gente ser parecido com os macacos, caso contrário nós não estaríamos aqui”. E volta a frase “O bom a gente aprende, o mal nasce e cresce dentro da gente” Eu aprendi o que é “bom” sem querer, por alguma razão eu aprendi na sociedade o que causa conflito e destruição, (num conceito simples) e eu aprendi a me afastar dessas coisas e ideias. Não sei, a medicina fala que é da minha condição mental eu querer evitar todos os tipos de conflitos, evitar sempre que possível porque isso me faz sentir mal. Porque nós nao podemos nos dar bem? Eu fico me perguntando. Porque as pessoas brigam? Aonde esta a diferença que eu nao vejo? Porque os humanos são tão pretensiosos? Só por conta da auto-consciência? O que minha consciência diz: “A existência humana é um mero acidente. É tudo em vão e insignificante. Você não é especial, eu não sou especial, ninguém que voce conhece é especial (ahh mas eu amo minha familia e amigos…. por favor, não), nem todas as pessoas que ja nasceram, nem as mais temidas e influentes são especiais e não tem importância alguma no quadro geral (universo). Um mero grão de areia infinito que vem da terra e vai a terra como qualquer merda. Eventualmente todo mundo vai estar morto, a raça humana será extinta, e o Universo não será diferente. Nada faz diferença nessa imensidão do universo, NADA. Nada é por você. O universo jamais iria se alterar pra simplesmente realizar uma vontade sua. O que você vê ou assimila não te torna especial.” Eu vejo como um pensamento destrutivo mas é algo que eu acredito. E o fato de eu pensar assim não altera nada no quadro geral. Tudo em vão como esse texto. “Mas caramba, a gente ta aqui, e agora?”. Agora que a gente ta aqui a gente poderia tornar a existência menos miserável. Talvez o segredo esteja em nosso DNA mesmo como meu amigo de loucura falava. Talvez a gente tenha que aprender mais o que é bom invés de simplesmente enxergar o que é mal. Não existe a necessidade de rebater as coisas que eu falo, discordar, concordar, elogiar etc eu não me importo. Eu me importo apenas com o meu bem estar e a ideia de tonar a existência menos medíocre. É facil enxergar o problema e simplesmente culpar a expansão do universo, a formação dos planetas, estrelas e o acidente no sistema solar que possibilitou o desenvolvimento da vida, a suposta evolução dela, a sociedade de hoje em dia e simplesmente não apresentar uma solução real, facil. Será que você consegue enxergar de verdade o mundo de igualdade que você quer? Será que você consegue me ver apenas como um ser humano medíocre assim como eu vejo você? Independente de todas as coisas irrelevantes que o ser humano cria e dificulta a nossa convivência ao seu ver. Cada um no seu espaço, cada um no seu mundo, não devemos nada um para outro e não temos obrigações. Talvez com uma coisa em comum, nós queremos apenas nos sentir bem. Será que a gente poderia aproveitar a companhia um do outro nesses termos? E por mais que eu tenha a ideia de que eu odeio os humanos igualmente, talvez esteja no meu DNA eu acreditar nos humanos ainda, eu acreditar que você quer se sentir bem como eu, apesar de tudo. Talvez seja tudo em vão mesmo, nao sei, não ligo. Talvez eu esteja louco mesmo.

    • Bem, você levantou um leque de questões filosóficas. O tema aqui tratado é feminismo e assim como não importaria minha opinião sobre o seu texto, sua opinião sobre o feminismo não me importa. Feminismo é uma filosofia separatista mesmo doa a quem doer. Suas propostas de boa convivência são de cunho liberal, individualista. Se distancia bastante da minha ideologia de hoje.
      Entendo seu desejo em filosofar e encontrar a resposta dentro de si mesmo, mas eu, particularmente, julgo isso imaturo. Alguns pontos no seu texto já são minha resposta. E foram a partir desses mesmos pontos que percebi que eu nem existo. E nessa não existência que valorizei o outro, a outra e por conseguinte as outras, todas as outras. O sofrimento humano é algo material e tentar oferecer flores para o opressor e entoar mantras não vai causar revolução. E se a sociedade se moveu e hoje você pode escrever seus textos na internet para alguém que você nem sonha em ver é por causa dessas revoluções. E quem fez as revoluções foram os sonhadores. Mas acho que tudo demorou muito e acredito que está na hora das sonhadoras.

      • A minha opinião não era exatamente sobre o feminismo, eu nem sei o que ele é pra falar a verdade, essa palavra varia muito de pessoa para pessoa. As minhas perguntas não só para você e o “feminismo”, são para todo mundo “Why can’t we get along? geez..”. Fiquei confuso com essa parte do “quem fez as revoluções foram os sonhadores” e o “acredito que está na hora das sonhadoras.”??? eu sonho tambem oras, sonho com os humanos se dando bem, uma linda utopia waaa q lindo. Sonho com a igualdade e ausência de preconceito sobre qualquer tipo de coisa. Talvez o mais próximo que eu tenha em mente seja a parte simples do “feminismo descontrutivista”. A ideia de ter que levantar o sexo (biologico ou social), ou relevar em alguma situação seja: nunca. As vezes eu sinto que as pessoas estão lutando entre si e a revolução acontece apenas na cabeça delas. A filosofia separatista que você coloca parece um pouco com “olho-por-olho” ou ‘vamos dar o troco na mesma moeda” e eu não acho essa ideia muito amigável. Ora porra se a ideia é a igualdade seria melhor juntar os pensamentos. Se você pensa que eu sou o mal e ao mesmo tempo você acredita que pode mudar as coisas (o mal dentro de mim) talvez você queira ter eu ao seu lado, e para que consequentemente eu traga as outras pessoas. E não vão existir mais “ismos”, vamos ter um lado só. To sonhando demais né? asudhasuhuas. Eu queria saber: Você acredita na mudança de ideia das pessoas? (essas coisas são a longo prazo infelizmente). Voce acredita que existem pessoas que vivem em cenários de igualdade? O que você acredita que define os seres vivos? Voce acredita na igualdade? O que você ja conseguiu?
        Eu falo de coisas boas e talz, isso acaba contagiando. Coisas ruins eu tento me afastar. “Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas. Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que minha única negação seja desviar o olhar!” etc etc. Eu acho que tive sorte sei lá, meu pai faleceu pouco depois de eu nascer, era só minha mãe e eu. Não conheci meu pai, mas conheci minha mãe e ela ajudou a me moldar. Passei muito tempo da minha vida sozinho (e ainda passo hehe), aprendi as coisas sozinho nessa sociedade patriarcal que voces dizem. Eu questiono tudo. Inclusive eu mesmo. Acho que as pessoas deveriam fazer isso tambem, questionar o lado racional inves de simplesmente aceitar o instinto e as coisas porque ja estavam la. E ru acho que nossa hierarquia é baseada no instinto animal (o que é horrivel e triste). Que funcionava por questões de sobrevivência. Assim como os animais funcionam até hoje (leão transa e cuida do grupo, leoa vai pra caçar e cuida dos filhotes. O lobo vai caçar, e as lobas cuidam dos filhotes e do grupo. Quem definiu isso?). Nós evoluímos muito em relação aos animais em questão de sobrevivência, ja tava mais do que na hora de esquecer essa hierarquia animal e usar mais o lado racional ja que a gente nao é mais bicho-das-cavernas a questão de sobrevivência é bem diferente dos tempos das cavernas hehe. Eu viajo muito eu sei. have a nice day.

    • Olha, Jules, não é porque o feminismo prega, dentre outras coisas, a equivalência moral de pessoas do sexo feminino com o valor que é atribuído socialmente para homens que se pode fingir que tudo já é igual e fácil como você propõe. Se você realmente espera um dia atingir essa bela convivência que descreve, isso passa, necessariamente, por admitir que as coisas não são nem um pouco iguais agora. Tal compreensão leva à conclusão de que a violência sistêmica praticada contra a classe política mulher não pode, sob hipótese alguma, ser colocada em equivalência com a violência da resistência das mulheres à essa opressão. Ou seja, se és sincero na tua crença nos humanos, de que todos querem sentir o bem, tens que resistir à tentação de classificar a violência da reação do oprimido como um mal, buscando compreender a complexidade de fatores que a justificam e a constituem como uma força de mudança social (por exemplo, a violência – a agressividade, assertividade, egocentrismo que necessitam ser praticados – por uma mulher que cria a coragem de se divorciar e sair de um relacionamento abusivo não tem absolutamente nenhum paralelo com a violência constitutiva dessa relação).
      Portanto, ao invés de pregar esse universalismo liberal – “somos todos iguais, por que não podemos conviver em harmonia?” – sugiro que compreenda que é somente através do separatismo feminista que se pode almejar alcançar o verdadeiro universalismo (um plano universal, absoluto e ideal de equivalência e troca mútua entre os indivíduos independente de suas características idiossincráticas – sexo, origem étnica, etc.). Não acho que seja por acaso que tenhas despertado curiosidade ao ler os posts desse site, provavelmente você percebe alguma coisa no que é escrito aqui que ressoa um profundo sentido para ti. Sendo assim, aconselho que resista à tentativa de tentar articular suas expressões em oposição ao que no texto é dito, buscando a percepção de que, paradoxalmente (ou talvez melhor, dialeticamente), o separatismo e a violência contra o Estado (nesse caso, o patriarcado) são expressões políticas fundamentalmente universalistas, anti-Estado e diametralmente opostas à violência sistêmica praticada contra os corpos ditos “femininos”, sendo absurdo e infundado qualquer paralelo entre esses dois tipos de violência.

  4. Sou iniciante no feminismo e estou tentando aprender, lendo textos de todas as “vertentes”. Participo de diversos grupos e aqui vai o desabafo: só vejo treta. Eu li o seu comentário acima sobre propostas de boa convivência serem individualistas ou liberais, mas em todos os grupos que eu entrei, nem eu, iniciante, consigo aprender nada, porque qualquer duvida já parece acusação. EX: eu queria muito compartilhar esse texto em um dos grupos que estou, (esse texto clarificou muito a ideia de genero, acho que se as pessoas de lá lessem, iriam entender totalmente), mas não posso porque uma trans citada está no grupo. Tipo, a treta é prejudicial pra todos. Apesar de concordar com esse texto, eu também consigo visualizar a opressão que trans sofrem, e não concordo com a ridicularização que algumas rads fazem. Da mesma forma que eu consigo visualizar isso, não concordo de forma alguma com o backlash que acontece. Entende? Eu acreditava em união, construçao coletiva de conhecimento, mas isso só se dissipa… 😦

    • Acho que a ridicularização há contexto, Juliana. Entender é importante. E homens negros também sofrem, desde o ventre, são o grupo mais assassinado e ainda assim feminismo não é para eles e eles são nossos opressores.

  5. O fato é que a Kelil nem ao mesmo respondeu à réplica da Mayra. Adoraria ver uma explicação sobre como as experiências(traumáticas, compreensivelmente, pelo o que li) de UMA pessoa, representa “a fêmea” no Mundo. Só reforçando o que a Mayra disse: O Mundo não gira em torno de ti, e a vida das “fêmeas” não é um remake da tua com outros personagens, se tua vida foi – com o perdão da palavra – uma merda, apenas sinto em te dizer: A de um monte de “fêmea” não foi.

    Particularmente, passei os últimos tempos, por hobby, estudando alguns blogs radfems. E te achei bastante honrada e inteligente, apesar de pouco respeitosa e um tanto egocêntrica. Gostaria de debater contigo, mas, diga-me: O que tens a dizer sobre as diferenças da estrutura cerebral de homens e mulheres(ou machos e fêmeas, como preferir).

    • Lezira, como conseguiu me achar egocêntrica? Essa é nova.
      Eu já respondi Mayra no meu facebook, o comentário aqui foi o mesmo lá, eu só fiz deixá-lo aqui também.
      Se quiser discutir comigo, meu face está a sua disposição. Só não converso com macho pq dou prioridade às mulheres, e há muitas com quem eu preciso bater um papo.

  6. A comecar, uma pessoa que ha pouco tempo atras ostentava uma vivencia masculina, dentro dos padroes de beleza (que se mantiveram mesmo com a transicao, diga-se de passagem) e, convenhamos, sem grandes problemas financeiros visto que voce mesma divulgou o quanto gastou nas suas cirugias chamar uma mulher que nunca foi vista ou teve vivencia de homem na vida, negra e feminista de “comparavel ao patriarcado” soa risivel, desonesto e nem vale a pena dissertar mais sobre.

    “Você crucificar Samie, por exemplo, por ela falar que maternidade é privilégio, sem sacanagem, é muito ódio no coração.”
    Nao eh odio no coracao nao. Eh realidade. Maternidade nao eh privilegio apenas pq pessoas transsexuais nao podem engravidar. TEm gente que gostaria de pertencer aos grupos marginalizados, tem gente que gostaria de ser negro, de ser gordo, asiatico (e olha so, ate mulher) e isso nao faz com que esses grupos estejam em posicao de privilegio. Eh ultrajante ouvir de alguem que nao pode engravidar do estuprador, que nao vai nunca precisar de um aborto, que nao vai nunca ter que abdicar da sua saude, tempo, planos e sonhos em detrimento de um filho, nunca vai ter que tomar anticoncepcionais invasivos falar que “gravidez eh privilegio”. Especialmente direcionado a mulheres que vivem em um pais onde o aborto eh ilegal e a violencia obstetrica, frequente.
    Fora que existem mulheres que nao podem ter filhos. Ignorando agora que voces as usam de escudo para reforcar suas mulheridades e compara-las a elas, numa tentativa completamente absurda de sugerir que a mulheridade dessas mulheres eh tao questionavel quanto a de voces, essas mulheres, ao contrario de mulheres-trans, foram socializadas para ser maes. Foram socializadas e cresceram estimuladas a acreditarem que uma mulher completa precisa de um filho. E isso eh “privilegio cis” pq esse tipo de inducao so acontece conosco, somos nos que somos preparadas e induzidas a maternidade desde pequenas, nao voces. Essas mulheres sim sofrem toda vez que voces as usam como escudo para proteger a “identificacao feminina” de voces, da mesma forma que fazem com mulheres com problemas hormonais que as fazem nao menstruar, ter pelos no rosto e ainda precisam ouvir pessoas com penis dizendo que se eles nao sao mulheres, elas tambem nao sao. Como se a sociedade nao tivesse as treinado incansavelmente a acreditar que elas sao mulheres incompletas e defeituosas. Voces nao tiveram a socializacao dessas mulheres e mulheridade a voces nunca foi cobrada (ao contraril, foi socialmente desestimulada). Nao cresceram ouvindo que mulher deve mae, deve ser assim e assado e portanto, eh inadmissivel ver voces tentando se comparar a essas mulheres em questoes de mulheridade e a dor e vergonha por nao poder gerar um filho na barriga.

    “Quando a gente muda a nossa aparência, a gente muda as opressões que sente. Um transhomem desfruta de todos os privilégios masculinos enquanto aqueles ao seu redor não souberem de seu sexo biológico.”
    Eu acho otimo que voces a todo momento ignorem o fato das socializacoes terem um efeito devastador na vida das mulheres. Eu acho otimo voces dizerem que socializacao eh um mito ou discursarem sugerindo que ela nao existe. Que eh forcacao nossa. Pq insistem em ignorar o discurso de pessoas que VIVEM isso?
    Um transhomem nunca neutralizara os efeitos de uma socializacao feminina. A socializacao feminina trabalha muito mais profundamente do que podemos ver. Sao pensamento implantados na nossa cabeca de forma extremamente eficiente em uma idade em que nossas mentes estao absorvendo de forma inacreditavel as informacoes. Crescemos convencidas de que somos culpadas, menores, subhumanas. Eu sei que ha sim, uma negacao de humanidade a pessoas transsexuais, ignorar o seu sofrimento nao faz parte da minha analise. Mas esse sentimento passa a ser mais expressivo depois da transicao. Conosco comeca logo quando aprendemos a falar e percebemos que nosso valor nao eh igual aos de outrem, nossa voz nao eh ouvida e nossas capacidades sao atrofiadas. Entedemos perfeitamente durante a nossa infancia que sim, somos o segundo sexo. As servicais. Eh agressivo quando voces ignoram essa realidade.
    Portanto, por mais que voces sofram opressao por parte da sociedade quando transicionam, voces tem a vantagem de nao terem sido atrofiados e incapacitados na infancia (e transformados em mulheres na sua definicao radical que significa um aparato social com o intuito de auxiliar sexualmente, emocionalmente, domesticamente e maternalmente pessoas do sexo masculino. somos utensilios sociais e nada mais). Se eu estou dizendo que toda pessoa transsexual com penis teve uma socializacao adequada? Nem perto disso. Acredito que em muitos casos os vestigios logo aparecem e que a reacao de familiares e proximos possa ser extremamente violenta. Mas nao eh uma socializacao de diminuicao, atrofiamento de capacidades, convencimento de que teu corpo pertence a outra pessoa, ser um ser humano sem vontades e tendo o medo como a sensacao mais frequente, entre outras coisas que caracterizam a socializacao feminina. As diferencas entre as socializacoes sao bem visiveis nos debates entre transativistas e mulheres. Ha uma culpabilizacao e uma conformacao em agregar outros em detrimento de si muito clara. E desculpe, mas nao eh coicidencia que transhomens (pessoas com vagina) tenham tao pouca visibilidade e pautas totalmente ignoradas nos debates. Eh muito clara a diferenca de tratamento que transhomens e transmulheres recebem dentro dos espacos lgbt (e quando se fala de internet, isso eh berrante) Analogo a gays e lesbicas, onde gays tem total visibilidade e lesbicas, que se danem. O odio a mulheres esta bem claro nesses fatos.

    E quanto a parte de genitalias, a Keli em momento algum disse que a atracao eh exclusivamente pela genitalia. Acontece que ter uma vagina envolve diversos outros fatores que assemelham individuos, como a vivencia, a experiencia e a maneira como esses individuos interagem entre si e socialmente. A vagina muda TUDO.

    pra terminar:
    “com quem você acha que está concordando quando pensa em expulsar uma mulher do banheiro feminino por não atender um desses pré-requisitos, o da vagina, da geração de filhos?”

    Ela esta concordando com o fato de que mulheres ainda sao as maiores vitimas de estupro do planeta terra e que ao rejeitar um terceiro banheiro mesmo em ambientes onde isso eh possivel, mostra bem que a ideia dxs transativistas nao eh seguranca e sim reforcar a mulheridade de voces a qualquer custo. Mesmo que isso signifique botar mulheres em risco. “Estupradores nao vao colocar saia”. Vao sim. Muitos estupradores perseguem por dias, calculam, planejam e tem um trabalho muito grande para estuprar. Uma saia facilita muito. Se dizer mulher somente naquele momento nao eh dificil pra absolutamente ninguem. Esepcialmente por alguem qque se dedica em violentar mulheres.
    E isso acontecey Mayra, mesmo vc fechando os olhos.
    Nao se deve esquecer que criancas usam o banheiro, jovens mulheres, mulheres com deficiencia, mulheres alcoolizadas ou sob efeito de drogas, enfim, mulheres extremamente vulneraveis a abusos, agressoes, violencia. Mas quem quer saber disso, ne?
    “Vai ter mulher com pinto sim no banheiro feminino e se bobear elas ainda vao se pegar, ne”?
    E que as mulheres que se danem.

    Realmente Mayra, eu nao poderia concordar mais com voce: o patriarcado agradece mesmo.

    • Em outras palavras, todas as “fêmeas” são burras que nem tu por causa da tal “socialização”? Numa boa, se um mascu visse isso, pediria para tu pegar leve para não acharem que você é misógina.

      Perguntei a dez cismulheres(“fêmeas”) sobre esse seu post: Todas acharam ridículo, e inclusive perguntaram se tu eras um mascu.

      Aceite os fatos, minha miga: Tua vida é uma merda, a das outras mulheres não. Sinto muito.

      PS: Pesquise antes-depois da HRT de transhomens, para de frescura e vira homem.

      #vaiterpintofeminino
      #sereclamarvaiterxoxotaviril

      • Olha.
        Vc nao sabe de nada.
        Eu nunca disse que mulheres eram burras. Nao ha nada de diferente entre machos e femeas, exceto pela anatomia. O resto eh construcao social.
        Eh blindar os olhos dizer que machos e femeas sao preparados igualmente, recebem os mesmos estimulos e sao induzidos as mesmas capacidades. Se assim fosse, nao precisaria nem ter feminismo. Mas vc nao sabe disso, ne? Pq vc eh macho, E macho nao sabe porra nenhuma de socializacao feminina.
        Vc pode ter perguntando pra milhares de mulheres transallies que isso nao eh argumento. Diversas feministas concordam comigo.

        Quanto a voce ter me chamado de burra e dito que minha vida eh uma merda: tipico de macho. Era de xysperar.

        Nao vai ter pinto feminino pq isso nao existe. Se vc tem pinto, voce eh macho. Feminina soh a tua afetacao.

        E olha, tem muita xoxota viril sim, sabia?
        Nos femeas temos a capcidade de parir um ser humano pela vagina. Eh virilidade que nao tem tamanho.
        VC nao tem atitude de feminista pq pra ser feminista precisa ser mulher. Coisa que voce nao eh. Vaza, macho.

  7. e by the way: a mulher pode fazer quantas transformacoes quiser. Isso nao neutraliza os efeitos de uma socializacao feminina e nao a salva da misoginia no primeiro momento q descbrirem que eh uma mulher.
    Do mesmo jeito que por mais “femininos” rs que vcs sejam, tem sempre a porra da atitude masculinista que vcs aprenderam quando ainda gostavam do piupiu.

    E nao tem como eu virar homem querido. Homem nao “se vira”, se nasce.
    Tenho vagina. Sou mulher.

    #VoceNaoEhMaisMulherQueEuVoceNaoTemDuasBuceta
    #NemUma

    • Nossa, quanto ódio(e recalque) nesse coraçãozinho, senta aqui no colo da titia(que tá de minissaia sem calcinha), vamos conversar sobre isso:

      01 – Tá frustradinha porque não podia brincar de carrinho quando criança ou é só porque o irmãozinho não te emprestava os bonequinhos do Max Steel?

      10 – É invejinha porque pinto feminino é moda, e bofinha com frescura de lady é o pior dos dois mundos, ou é porque pegamos TAMBÉM as heterozinhas?

      11 – Sua maior frustração é que graças às nossas vitórias de poder mudar nome e sexo nos documentos facilmente em muitos estados do Brasil, você está tendo de procurar penico rosa e não tá achando ou porque as cotas para mulheres em partidos e empresas podem ser preenchidas por pessoas sem a tal “socialização feminina”

      100 – Uma trans tirou teu atraso, tacou a bomba ninja, a dor de cotovelo ficou foda e você concluiu dois anos depois que foi estupro, ou é porque dildo de carne é muito superior a qualquer porcaria que você compre no sexshop?

      101- Depois de levar mais de um dia para descobrir que enumerei em binário, acha que isso é culpa da tua mãe(akela puta) que não te deu bonequinho do Action Man ou porque você nunca escreveu “blue waffle” no google e clicou em “estou com sorte” http://lmgtfy.com/?q=blue+waffle&l=1 (let me google that for you)

      Enfim, jovem, continua sentadinha aqui, no colo da titia, e conta pra titia, o que você vai fazer agora:

      A – Fazer uma página ridiculamente transfóbica para queimar(mais ainda) o filme de tuas radsis

      B – Fazer prints desse post e usar como prova suprema de que nós na verdade somos homens de vestido infiltrados para estuprar vocês

      C – Fazer “Outing” em crianças e adolescentes trans e dizer que faz isso para “ajudá-los”.

      D – Postar merda transfóbica na internet para os mascus da linha AFVM usarem como prova de que “uhr duh feminismo é misândrico”

      E(mais recomendado) – Voltar pra cozinha!

      F – Sentar e chorar ante a constatação de que eu sou uma mulher cis e estou achando o máximo judiar de você?

      • Lezira, eu só vou deixar seus comentários aqui, seu macho escroto, pra ficar de exemplificação do que exponho na minha carta. Mas sua misoginia já deu e é sempre assim, quando o indivíduo de nome feminino destila tanta misoginia é na verdade um macho. Vai se foder, você e sua inveja infinita das mulheres. Se for menos burro do que aparenta ser, não vai perder tempo digitando. Não vou aprovar e nem vou ler porque sua forma de escrever me dá preguiça em todos os sentidos.

  8. eu so quero agradecer a esse macho babaca por provar por a mais b tudo que eu e a dona do blog estamos tentando falar.
    Quem me dera, Lezira, que todo macho de vestido fosse que nem voce.

    Muito obrigada! Sem voce seria mais dificil, machinho!
    (vc ficou mt irritadinho com a parte da piroca. tocou na ferida, ne? mulher “cis”? you wish hahaha)

  9. tô chocada ao saber que raziel e dorothy são a mesma “”””pessoa””””. encontrei dorothy há três meses atrás, num evento e o achei bizarro mas não falei nada. depois o vi no perfil de um transativista dizendo que as rad o acusavam “injustamente” de estupro e pedofilia. semana passada, lendo o blog da lola, vi uma postagem antiga desse tal de raziel, dizendo que era um “mascu arrependido” e que tinha decidido “se tornar mulher”. várias minas acharam o depoimento lindo, deram apoio, etc. depois a lola deu um update na postagem dizendo que raziel continuava com pensamento mascu e que não era bem-vindA no blog. não comentou mais. pensei que tivesse tomado vergonha na cara e se assumido mascu mas continua com esse papo furado de transmulher. que nojo. sério. são todos iguais mesmo. o pior de tudo é ver mina rachando mina pra defender esses lixos. não sabem onde estão se metendo…

  10. Pingback: Carta aberta a Mayra | À margem do feminismo

  11. Cara,na boa…por que macho de toda a “espécie” adora trolar com textos tão longos e de filosofia barata? nem dá vontade de ler! É tudo mascuzão metido á cult!
    Como mulher queer/trans ( ou sei lá como mascuzões e bababacas fins me qualificam por me recusar a me apresentar como “mulher”) não vou mais dar apóio á um movimento bosta desses,a não ser de transhomens e mulheres queer.Aposto se eu sair por aí pregando estupro desses seres vão me fuzilar na rua.Mas eles podem….como seres assim alegam querer ser mulher??
    Aliás,que tal vcs escreverem sobre as mulheres de terno ? as chamadas dandy,queer,etc? melhor do que perder tempo com machos babacas de vestido.

  12. Sim,seria muito interessante porque veriam mulheres ao longo da História que decidiram arregaçar as mangas e resistir,ao invés de alimentar vitimismo.

    Não sei se tem feministas no meio delas,creio que não.Nunca fui bem vinda nesse meio e acredito que as outras também não devem ter sido.portanto,é mais uma questão de “lutas pessoais”.

    Pode procurar por “crossdressers along History” e “female dandy”.Não sei se “queer women ” cai no que eu quero dizer…enfim,tem bastante material por aí.

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